O gesto foi visto como uma maneira de dar visibilidade a Mateus Simões, que é cotado para disputar a sucessão do governador em 2026
Zema e Mateus Simões em evento no Triângulo Mineiro — Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG
Pensando em 2026, o governador Romeu Zema (Novo) deu protagonismo ao vice-governador Mateus Simões (Novo) durante a inauguração de um complexo de produção de fertilizantes fosfatados no município de Serra do Salitre, no Triângulo Mineiro. Ao lado de Lula, Zema “quebrou o protocolo” durante a agenda nesta quarta-feira (13) e cedeu a palavra ao vice, que não tinha fala prevista durante o evento. O gesto foi visto como uma maneira de dar visibilidade a Simões. Desde o início do segundo mandato, o vice-governador tem dividido espaço viajando com o governador no interior do Estado.
Cotado para ser o sucessor de Zema ao governo de Minas em 2026, Mateus Simões tem o desafio de se tornar conhecido junto ao eleitorado já que sua atuação é mais restrita em Belo Horizonte. Antes de assumir cargo na administração estadual e virar vice de Zema, Simões foi vereador na capital. “Eu vou quebrar o protocolo, a minha fala vai ser muito rápida, mas eu quero escutar uma pessoa que é a mais impactada pelo que está acontecendo aqui hoje, que é o produtor rural. E (ele) vai ter uma fala muito breve, quebrando o protocolo, um produtor rural que é muito próximo de mim, que é o vice-governador Matheus Simões”, disse Zema.
Durante seu discurso que durou cerca de três minutos, Mateus Simões falou sobre a história da família que é produtora rural na região em um plateia cercada de petistas, incluindo a presença do presidente Lula e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), que tem como aliado o presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PSD) – também cotado para a disputa ao governo do Estado e deve ser rival de Simões nas eleições.
“Há 115 minha família veio para essa região no Alto Paranaíba e no Triângulo Mineiro, onde nada nascia, era só a pecuária. Durante quase 50 anos falavam que não era possível produzir, mas aprendemos que Minas tinha muito mais a entregar e podia corrigir o solo e trazer fertilidade. Obrigado governador, obrigada Eurochem e ao governo federal, presidente Lula, por possibilitar que Minas Gerais seja não só uma grande produtora agrícola, mas seja parte da solução do problema que é, a garantia da soberania e independência em termos de fertilizantes”, afirmou Simões que discursou em uma região em que Zema ganhou as eleições em 2022 com 65,51% dos votos.
A fala do vice-governador incomodou petistas presentes e a oposição do governador Romeu Zema. Mas apesar da quebra de protocolo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve o tom diplomático que vem mantendo com o governador nos últimos meses e destacou durante seu pronunciamento que nunca perguntou se o “govenador é corintiano, atleticano ou cruzeirense” ao citar os investimentos do PAC no Estado. O encontro de Lula e Zema é a terceira agenda conjunta entre os chefes dos Executivos em pouco mais de um mês.
Conforme publicado, tanto Lula e Zema tem adotado um tom institucional nas agendas. Na avaliação de interlocutores, há o interesse, de ambos os lados, de manterem e reforçarem o compromisso institucional entre governo do Estado e federal, afastando qualquer tipo de polarização.
“O PAC não saiu da cabeça do presidente, saiu da necessidade do governador, dos prefeitos. Nunca perguntei ao governador se ele é corintiano, atleticano ou cruzeirense. Nunca perguntei. Aqui em Minas, quando o cara não quer dizer o que ele é, diz que é América. Eu falo que sou Corintiano mesmo em um público diverso, mas em Minas eu sou Cruzeiro, mesmo sabendo que a maioria é atleticana, de vez em quando tomo vaia”, pontuou Lula.
Diferentemente da primeira agenda de Lula ao Estado, em fevereiro, em que diversos ministros criticaram o governador do Estado em relação a sua postura sobre o fim da exigência de vacinação para matricular crianças e adolescentes em Minas Gerais, a única crítica velada a Zema veio de seu conhecido adversário, o ministro Alexandre Silveira. Segundo o ministro, o governo Lula “não vive de narrativa de rede social”. “A gente trabalha para levar ações de verdade para melhorar a vida de brasileiros”, disse Silveira.
O ministro fez questão de cumprimentar durante seu discurso o deputado federal, Rogério Correia (PT). Pré-candidato à Prefeitura de Belo Horizonte, o petista deve disputar as eleições na capital mineira com o correligionário de Silveira, o prefeito Fuad Noman (PSD), que é pré-candidato à reeleição. (Fonte: O Tempo)
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