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Quadrilha com “cabeça” de Uberaba movimentou R$ 12 milhões para o crime

O chefe de inteligência da PRF, tenente-coronel Marcelo Gonçalves, acompanhado do inspetor Rocha Neto, explicou que a quadrilha tinha como sede principal Uberaba, identificada como grande polo de escoamento de grãos na região (Foto/Divulgação)

Operação desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) da regional de Uberaba, em parceria com as Polícias Militar e Penal de Minas Gerais e a Polícia Rodoviária Federal, na manhã desta terça-feira (10) movimentou cerca de R$ 12 milhões. A informação foi repassada ao Jornal da Manhã durante coletiva de imprensa. De acordo com o coordenador do Gaeco, José Cícero Barbosa, dos oito mandados de prisão expedidos para Uberaba, seis foram cumpridos e outros dois suspeitos estão na condição de foragidos. 

O promotor explicou que, durante dois anos de investigação, que começaram com a análise da PRF, foram observados alguns aspectos importantes, como os caminhões com cargas de insumos agrícolas ou placas fotovoltaicas sendo interceptados pelos bandidos. “Essa quantidade de roubos de carga na região saía da curva da realidade no Triângulo Mineiro e, ao longo do tempo, descobrimos que os boletins de ocorrência eram falsos. Então, passamos a trabalhar com a possibilidade de uma organização criminosa, contando com uma rede ampla, onde os próprios motoristas participavam do esquema”, pontuou.

Sobre como chegaram à quadrilha de roubo de carga, que tinha um transbordo final, José Cícero disse que pretende avançar no objetivo de identificar também os receptadores, que negociam os produtos no mercado clandestino. Portanto, não será fácil realizar esse trabalho, analisando que o esquema atingia vários estados; com base na documentação, poderá haver mais desmembramentos. “O alvo principal da operação foram os integrantes de comando mais graduados, que planejavam e organizavam o delito. Mas também chegamos a alguns motoristas que facilitaram o processo”, explicou.

Os integrantes que foram encaminhados à 15ª Polícia Civil estão sendo processados por diversas infrações penais, dentre elas furto mediante fraude, estelionato, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, bem como falsificação de documentos e adulteração de sinais identificadores de veículos automotores. Questionado sobre quando abordaram os indivíduos, alguns deles já tinham mandado de prisão no sistema de segurança pública. José respondeu que alguns tinham antecedentes, mas nenhum estava sendo procurado pela Justiça. “Havia um alvo que estava no sistema prisional, de um caminhão prancha. Contudo, os indivíduos com mandado tinham uma expertise criminosa, dificultando a identificação pela polícia”, finalizou.

Uberaba é polo – O chefe de inteligência da PRF, tenente-coronel Marcelo Gonçalves, acompanhado do inspetor Rocha Neto, explicou que a quadrilha tinha como sede principal Uberaba, identificada como grande polo de escoamento de grãos na região. “A quadrilha aproveitava a facilidade do mercado, que era intenso no município, oferecendo o produto para grandes transportadoras”, disse. “Nas ocorrências, foi verificado que seguiam um padrão, onde o motorista era abordado por dois a três ocupantes em carro escuro, que anunciavam o assalto. Em seguida, a carga passava pelo primeiro, segundo ou terceiro intermediário até chegar ao possível receptador”, completou.

Como a carga não chegava ao cliente, os produtos utilizavam o sistema da PRF para registrar o roubo. Em seguida, o mesmo caso era registrado em outro estado. Por isso, começaram a perceber que os casos de roubo de carga na região contavam com parceiros do crime. Questionado sobre o motivo de a quadrilha, além de insumos agrícolas, fazer questão de roubar placas solares, ele explicou que as placas fotovoltaicas são de fácil comercialização, devido à alta procura no mercado. “Havia uma grande quantidade de carga e, se conseguissem receptores para os produtos, agiam no sentido de desviar o carregamento para não chegar ao destino final”, concluiu. ( JM Online )

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