A segunda maior gema do país, de 646 quilates, foi retida em operação conjunta e tem origem suspeita. Autoridades investigam se pedra foi desviada de outro garimpo em Araguari.

O segundo maior diamante do Brasil, com 646,78 quilates, foi retido em Minas Gerais pela Polícia Federal (PF) e pela Agência Nacional de Mineração (ANM). A ação aconteceu em 27 de agosto, em meio aos trâmites para o recebimento do Certificado do Processo de Kimberley (CPK), documento necessário para a exportação legal da gema.
As investigações, que começaram em julho, apontam diversas inconsistências. Entre as principais, está a suspeita de que a pedra não foi encontrada em Coromandel, na Região do Alto Paranaíba, como declarado pela empresa Diadel Mineração, mas sim em Araguari, no Triângulo Mineiro. A venda da gema, avaliada em um valor muito abaixo do mercado, também levanta dúvidas.
Investigação e inconsistências
A ANM informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que acompanha o caso com rigor e que os detalhes permanecem em sigilo. A PF não se manifestou. A agência requisitou uma série de documentos à Diadel Mineração, pedindo informações sobre a origem da gema, a produção mensal, o controle de guarda e a identificação de todas as pessoas que tiveram acesso à pedra. Um dos ofícios solicita, inclusive, um parecer técnico sobre a compatibilidade geológica da pedra com a origem declarada e se há ou houve relação comercial com a Carbono Mineração, empresa que opera em Araguari.
Essa solicitação reforça a tese de que o diamante pode ter sido desviado daquele município. Fontes ligadas ao setor de mineração em Coromandel relatam que a Diadel Mineração, que declarou a descoberta, teve sua produção frequentemente parada, operando de forma esporádica. A atividade teria sido retomada apenas em maio e junho, o que contrasta com a declaração de produção contínua. Além disso, a empresa interrompeu os processos logo após a descoberta do diamante. O normal, para o setor, seria intensificar a exploração para definir a jazida e encontrar mais gemas.
Compra e valor abaixo do mercado
A forma como a venda do diamante teria sido conduzida também gera suspeitas. Fontes do mercado de gemas afirmam que compradores nem sequer foram consultados, e a transação, supostamente fechada por cerca de R$ 16 milhões a R$ 18 milhões, ocorreu de forma rápida e atípica. Especialistas, no entanto, estimam que a gema poderia valer até R$ 50 milhões, caso houvesse um leilão para sua negociação.
A publicidade da descoberta também foi considerada tímida, o que contraria a prática comum de empresas que fazem um feito desse porte. A falta de transparência e o baixo valor de venda da gema reforçam as suspeitas de que a pedra tenha sido desviada de um garimpo legal em Araguari, com a mudança de localidade visando dar legalidade ao desvio. A Diadel Mineração, por sua vez, registrou um protocolo para desistência da certificação CPK no mesmo dia da apreensão. A ANM, no entanto, informou que o processo ainda não foi concluído e não houve desistência.
*Conteúdo Estado de Minas
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