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Minas entra em alerta para temperaturas mais altas dos últimos 30 anos em pico do Super El Niño

Para reduzir os impactos das mudanças climáticas previstas em todo o Estado, o governo criou o Comitê Estadual de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño

Paulo Rezende, coordenador estadual da Defesa Civil, detalhou ações do órgão no enfrentamento aos efeitos do El Niño – Foto: Clara Mariz

O pico do Super El Niño – que vai até dezembro – poderá fazer com que Minas Gerais atinja temperaturas não experimentadasnos últimos 30 anos. A tendência é que as ondas de calor sejam mais severas no Triângulo Mineiro, no Noroeste, no Norte e na região Central. Uma estiagem severa também não é descartada para essas áreas em um quadro de alerta que se soma a outros riscos para todo o estado, como tempestades intensas. O cenário projetado forçou o governo estadual a  criou o Comitê Estadual de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño.

O decreto de criação do comitê foi assinado em setembro e anunciado nesta terça-feira (20 de outubro) pela Defesa Civil estadual, com estabelecimento da atuação integrada dos órgãos estaduais para prevenção, monitoramento e resposta aos impactos do fenômeno climático.

De acordo com a Defesa Civil, os reflexos do El Niño podem afetar todos os municípios mineiros, desregulando o calendário de chuvas e elevando as temperaturas. A previsão da instituição é que de outubro a dezembro, as temperaturas registradas podem ser superior às computadas nos últimos 30 anos. Em relação as altas dos termômetros, as áreas que poderão ser mais atingidas são Triângulo Mineiro e as regiões Noroeste, Norte e Central. Além disso, há possibilidade de estiagem severa.

Já em relação às precipitações, na Região Metropolitana de Belo Horizonte e na Zona da Mata há possibilidade de tempestades pontuais e intensas. Conforme Romero Wanzeler, meteorologista Centro de Inteligencia em Defesa Civil de Minas Gerais (Cindec-MG), as projeções meteorológicas indicam um aumento das chuvas fortes, concentradas em um curto período de tempo que podem intensificar e provocar desastres geológicos como deslizamentos e alagamentos. 

“Nesse próximo trimestre essas chuvas podem vir a ocorrer principalmente em parte do Sul e Sudoeste do estado. Além de um pouco de atenção na Zona da Mata e na região metropolitana. Nessas regiões pode haver um aumento na frequência e no volume concentrado em um curto espaço de tempo”, explica Wanzeler. 

Monitoramento e capacitação 

Entre as ações realizadas pela Defesa Civil para diminuir os efeitos do El Niño super forte está o suporte técnico do estado aos municípios. Segundo o coronel Paulo Rezende, coordenador estadual da corporação, os governos municipais os principais no enfrentamento aos efeitos climáticos provocados pelo fenômeno meteorológico. Nesse sentido, a Cedec promoveu capacitações para mais de 830 agentes públicos, alcançando mais de 230 cidades mineiras.

“A preparação e articulação de ações também incluiu reuniões com prefeitos. É de responsabilidade dos municípios revisar e atualizar planos de contingência para seca e temporais; estruturar brigadas locais para prevenir incêndios, manter equipes de prontidão incluindo as pastas de obras, assistência social e os serviços de emergência locais, além da drenagem e limpeza urbana antes do pico das chuvas como forma de evitar alagamentos”, afirma a Defesa Civil. 

Ainda conforme Rezende, historicamente as áreas de maior vulnerabilidade social são as mais afetadas pelos desastres provocados pelos fenômenos climáticos. Isso acontece devido a ocupação  desordenada do solo. “Esse cenário traz um desafio grande porque exige da gente [Defesa Civil] também um olhar diferenciado porque não é só fazer uma intervenção de defesa civil, é fazer uma intervenção humanizada e por isso é necessário uma ação que também inclua outros órgãos como psicólogos, assistentes sociais, de uma rede de acolhimento que vai muito além daquela abordagem técnica inicial.”

Em relação a seca e as altas temperaturas, o governo irá assinar, na próxima semana, um contrato para distribuição de água, por meio de caminhões pipa, aos municípios. “Estamos fazendo um contrato considerando esse efeito do El Niño super forte. Então, com relação à seca, além do treinamento, da mobilização e do compartilhamento de informações, nós estamos entrando com essa ação por meio de caminhões pipa”, explica o coronel Rezende. 

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