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Lula diz que ‘não existe pena’ para punir agressores de mulheres: ‘até a morte é suave’

Presidente relata ter sido cobrado por Janja por um ‘discurso mais duro’ de combate à violência contra a mulher

Lula fez discurso duro sobre violência contra a mulher após ter sido cobrado por JanjaLula fez discurso duro sobre violência contra a mulher após ter sido cobrado por Janja – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom

BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse ter sido cobrado pela primeira-dama, Janja da Silva, para adotar um discurso mais duro sobre a violência contra as mulheres. Segundo ele, Janja chorou seguidas vezes nos últimos dias ao ler sobre casos recentes de agressão.

“Eu acordei domingo para tomar café e, no café, a Janja começou a chorar. De noite, vendo Fantástico, Janja voltou a chorar. Ontem, voltou a chorar. Hoje, ela pediu no avião: Lula, assuma responsabilidade de uma luta mais dura contra violência do homem contra a mulher”, relatou.

Em discurso na cerimônia de ampliação da Refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca (PE), nesta terça-feira (2/12), Lula se emocionou ao citar notícias de violência contra mulheres e afirmou que “até a morte é suave” como punição a um agressor.

“A pergunta que eu faço é o seguinte: o código penal brasileiro tem pena para fazer justiça a um animal irracional como esse? Nós temos pena para isso? Se o cara tiver dinheiro, fica dois anos preso e vai pra rua bater em outra mulher. […] Porque pensando bem, não existe pena para punir um cara desse. Porque até a morte é suave”, disse.

Em um longo discurso sobre o tema, o presidente também apontou ser preciso que haja um “movimento nacional dos homens contra os animais que batem, judiam e maltratam” as mulheres.

“Mas isso não depende de ninguém, depende de cada um de nós. Cada um de nós, homens, precisamos ser professor do outro. Cada um de nós temos que educar os nossos filhos, temos que educar nossos companheiros”, declarou.

“Se você não está bem com a sua companheira, por favor, seja grande. Não bata nela. Se separe dela. Se ela não gosta de você, ela não é obrigada a ficar com você. Deixa ela cuidar da vida dela, não aprisione essa pessoa. Não seja ignorante”, acrescentou o petista.

Lula minimiza corrupção na Petrobras

No início do discurso, o presidente relativizou os casos de corrupção na Petrobras revelados pela Operação Lava Jato, que condenou ele e outras lideranças políticas por irregularidades em contratos envolvendo a estatal. Anos depois, a pena dele e de outros condenados foi revogada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que apontou abusos nas investigações.

Segundo Lula, quem queria “fazer corrupção” eram os responsáveis pelas investigações, como o ex-juiz e hoje senador Sérgio Moro (União-PR) e o ex-procurador Deltan Dallagnol.

“Conseguiram criar como se fosse uma peste nas pessoas da Petrobras dizendo que havia corrupção. E a história vai provar que quem queria fazer corrupção era aqueles que diziam que tinha corrupção na Petrobras. Até pq a história nos ensina: se vc tem uma empresa e ela tem corrupção, você pune quem praticou a corrupção, mas não pune a empresa e nem os trabalhadores”.

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