Presidente estava previsto para desembarcar no estado na próxima sexta, mas agenda foi adiada e a nova previsão esbarra apenas no início do período eleitoral

Com a oficialização do deputado federal Patrus Ananias (PT) como pré-candidato ao governo de Minas, cresce a expectativa pela volta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao estado para “batizar” o nome que fará seu palanque. Segundo a presidente estadual da legenda, deputada Leninha, o novo desembarque do petista em solo mineiro deve ocorrer após o dia 16 de agosto — data em que a legislação eleitoral autoriza o início oficial da campanha e a propaganda nas ruas.
Inicialmente, Lula estaria em Sete Lagoas e em Governador Valadares já na próxima sexta-feira (24/7), mas a viagem foi adiada por incompatibilidade de agendas, segundo a dirigente estadual. O momento que o presidente volta ao estado, dessa vez, difere do cenário da sua última passagem pelo estado, quando os petistas ainda batiam cabeça para definir quem ocuparia o palanque do presidente.
Durante meses, o PT apostou todas as fichas no senador Rodrigo Pacheco (PSB), que acabou anunciando o fim da carreira política após uma longa espera imposta aos aliados. Correndo contra o tempo, a legenda recorreu a pesquisas internas de intenção de voto para testar quadros do próprio partido e potenciais nomes de legendas aliadas.
Na ocasião, o ex-vereador de Belo Horizonte e também pré-candidato ao Executivo mineiro Gabriel Azevedo (MDB) chegou a pontuar melhor nos levantamentos. Estavam ainda no radar da legenda nomes como Reginaldo Lopes e Rogério Correia – ambos deputados federais pela sigla -, a ex-reitora da UFMG Sandra Goulart e quadros do PSB Minas. O ex-prefeito de capital mineira Alexandre Kalil (PDT) e a ex-prefeita de contagem Marília Campos (PT) também chegaram a ser cotados, mas ambos declinaram à expectativa petista. Parte do PT também tinha aversão ao nome de Kalil para repetir a aliança feita em 2022, quando ele também disputava o Executivo estadual.
No início do mês, porém, o nome de Patrus começou a ser ventilado como possibilidade para ocupar o posto que estava vago. No dia 4 de julho, quando lançou a pré-candidatura a deputado federal, Patrus afirmou a O TEMPO que não tinha pretensões de assumir a candidatura.
“Eu sou candidato a deputado federal. Estou lançando a minha pré-candidatura à reeleição e digo isso considerando também o meu momento existencial, minhas condições também pessoais, familiares e de vida”, relatou Patrus.
No entanto, três dias após lançar sua pré-candidatura à reeleição na Câmara, Patrus entrou de vez no radar petista e foi oficialmente procurado pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, que tratou da possibilidade com ele. A conversa que se deu por telefone ainda teve como participante o ex-ministro dos governos Lula, Gilberto Carvalho.
Na ocasião, Edinho apresentou a Patrus resultados de uma pesquisa interna que colocaram o deputado em destaque e com boas condições de assumir uma candidatura ao governo de Minas. Após o movimento, o parlamentar começou a indicar que poderia topar o desafio, mas ainda aguardava uma reunião com Lula para analisar o cenário e condições.
Na última quarta-feira (14/7), o coordenador nacional do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do PT, Jilmar Tatto revelou que o deputado seria o pré-candidato que os petista lançariam para o Executivo mineiro. No dia seguinte (15/7), o deputado se encontrou com Lula e, embora não tenha sido anunciado, já saiu com um encontro marcado com a Executiva estadual da legenda em Belo Horizonte.
No dia da reunião, nesta segunda, Patrus foi oficializado como pré-candidato. Na ocasião, ele falou brevemente com a imprensa e afirmou que o primeiro passo após o lançamento do seu nome ao governo de Minas será consolidar a unidade interna do partido e iniciar o diálogo com as legendas que compõem a federação com o PT — PCdoB e PV — antes de ampliar as conversas com outras siglas do campo que classificou como “centro-democrático”. “O ponto inicial é nós nos unificarmos, arrancarmos com o PT. Os próximos passos serão a busca de alianças democráticas. Primeiro, com os partidos que formam conosco a federação e, depois, com outras legendas, o campo da esquerda e o campo do centro democrático, para ampliarmos cada vez mais as possibilidades da nossa pré-candidatura ao governo de Minas”, afirmou.
Fonte: O Tempo
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