
Ação do MTL levou ao cerco policial, bloqueio temporário da rodovia e acompanhamentos do governador Mateus Simões e do prefeito Paulo Sérgio; área ocupada chegou a ser cogitada para receber um data center.
Uma ocupação de terras na zona rural de Uberlândia transformou a região da MGC-497 em um dos principais focos de atenção das forças de segurança neste domingo (30). Centenas de famílias ligadas ao Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) entraram em uma propriedade às margens da rodovia, desencadeando uma operação policial, restrições de acesso ao local e a presença de autoridades estaduais e municipais.
Segundo o movimento, cerca de 500 famílias participam da mobilização na Fazenda Bom Jardim, localizada próxima ao Posto Décio e ao acesso ao bairro Chácaras Panorama. A área tem 96,76 hectares e integra o patrimônio do Fundo de Investimento Imobiliário Bacuri.
Polícia fecha o perímetro da área
Com o avanço da ocupação, a Polícia Militar montou um cerco no entorno da fazenda para impedir a entrada de novas pessoas, veículos e materiais. Paralelamente, a Polícia Militar Rodoviária bloqueou temporariamente os dois sentidos da MGC-497 para controlar o fluxo na região e evitar riscos durante a operação.
O governador Mateus Simões acompanhou a situação no local e afirmou que a estratégia adotada é permitir que os ocupantes deixem a propriedade voluntariamente, sem autorizar novas entradas. Segundo ele, caso não haja desocupação espontânea, o Estado poderá recorrer às medidas judiciais cabíveis.
Durante a visita, Simões também contestou a classificação da fazenda como área improdutiva, argumentando que o imóvel apresenta atividade agrícola e indícios de cultivo recente.
Movimento reivindica reforma agrária
O MTL informou que 301 famílias envolvidas na ação possuem cadastro no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), enquanto as demais são oriundas de bairros e comunidades de Uberlândia e estão cadastradas pelo próprio movimento.
Entre as reivindicações apresentadas estão:
- permanência das famílias na área até um assentamento definitivo;
- cadastramento dos ocupantes pelo Incra;
- vistoria imediata dos imóveis indicados pelo movimento;
- identificação de outras áreas aptas para assentamento.
Em nota, o grupo afirmou que pretende manter a mobilização de forma organizada e defendeu o diálogo como caminho para resolver o conflito.
Terreno já esteve ligado a projeto de data center
A Fazenda Bom Jardim havia sido escolhida inicialmente para receber um grande data center voltado à inteligência artificial. No entanto, a empresa RT-One encerrou, em julho, os contratos relacionados ao terreno e passou a avaliar outras áreas para instalar o empreendimento.
O MTL justificou a escolha da área citando a valorização patrimonial do imóvel. Documentos analisados anteriormente apontam que a propriedade foi adquirida por R$ 14 milhões em 2019 e passou a ser avaliada em aproximadamente R$ 76 milhões ao fim de 2025. A administradora do fundo, a WNT Capital, afirmou que não possui ligação com o Banco Master e explicou que atua como gestora fiduciária de diversos fundos independentes.
Prefeitura defende retirada das famílias
O prefeito Paulo Sérgio Ferreira também esteve na região e defendeu a desocupação da fazenda, afirmando que se trata de uma propriedade privada com atividade produtiva. Ele informou ainda que acionou os comandos da Polícia Militar e citou programas habitacionais do município, como o Cheque Moradia, ao comentar alternativas para famílias em situação de vulnerabilidade.
Enquanto as negociações seguem e a permanência das famílias continua indefinida, a área permanece sob monitoramento das forças de segurança, que mantêm o controle do acesso ao local e acompanham os desdobramentos da ocupação.
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