Seca na Europa e aumento dos custos de produção puxaram alta do produto no mercado internacional. Azeite de abacate é opção mais em conta e de qualidade

De acordo com a prévia da inflação de dezembro, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), o preço do azeite subiu quase 40% ao longo de 2023.
“O problema é que nós produzimos pouco azeite – apenas 1% da demanda nacional – e ficamos muito dependentes do produto que vem da Europa”, explica Felippe Serigati, pesquisador da FGV-Agro.
Pra complicar, choveu pouco no ano passado, a produção caiu e pressionou a oferta no mercado internacional. Além disso, a Guerra da Ucrânia segue pressionando os custos de produção por lá.
“A gente só deve ver alguma reversão na virada do primeiro para o segundo semestre do ano que vem”, prevê o pesquisador.
Azeite de Abacate é boa saída
Uma boa alternativa para quem não fica sem esse precioso líquido é o azeite de abacate. Há boas ofertas do produto por aí, pelo menos R$ 10 mais em conta do que o azeite tradicional.
O azeite de abacate é produzido por um sistema especial de centrifugação. O produto, desenvolvido no município mineiro de Maria da Fé, pode ser usado para fins comestíveis ou para obtenção de compostos com azeite de oliva em substituição às misturas feitas com outros óleos vegetais, a exemplo do óleo de soja.
De acordo com o pesquisador da Epamig, Adelson de Oliveira, o abacate é rico em ferro, cálcio, fósforo, fibras solúveis, fitoesteróis e lipídios. O consumo regular da fruta auxilia na redução dos níveis do colesterol ruim (LDL) e na elevação do colesterol bom (HDL), o que diminui o risco de doenças cardiovasculares.
Além disso, a vitamina E, antioxidante natural, somada à vitamina A, torna o azeite de abacate um composto capaz de prevenir doenças oftalmológicas, como catarata e cegueira noturna.
Do ponto de vista econômico, a disponibilidade de frutos durante quase todo o ano faz do azeite de abacate um negócio vantajoso no Brasil, país com condições climáticas favoráveis e grande disponibilidade de terras para plantio.
Variedades mais promissoras
De acordo com estudos, variedades como a Hass e a Fuerte são as mais rentáveis, com capacidade extração de azeite de até 26% do fruto. Mas outras variedades bastante cultivadas no Brasil, como Wagner, Linda e Margarida, também são recomendadas. Já o azeite obtido da variedade Breda é característico por apresentar um sabor ligeiramente picante.
(*) Com informações da Epamig