Eles vêm de uma aldeia chamada Pirajuí que fica em Paranhos (MS), e muitos falam somente a língua guarani, não sabem ler ou escrever. Segundo eles, todos assinaram contrato com a Cutrale, empresa produtora de laranjas e produtos derivados da fruta.

Sem alimentação adequada e sem higiene adequada, 52 homens indígenas foram encontrados divididos em dois alojamentos na noite de quarta-feira (22), em Planura (MG).
De acordo com a Polícia Militar (PM), todos são da aldeia Pirajuí que em Paranhos (MS) e alguns falam apenas a língua guarani, não sabem ler ou escrever e assinaram o contrato com a Cutrale, empresa produtora de laranjas e produtos derivados da fruta. No entanto, nenhum trabalhador foi resgatado, sendo apenas registrado boletim de ocorrência.
O g1 entrou em contato com o Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais (MPT-MG) que informou que recebeu a denúncia na manhã desta sexta-feira (24) e que uma investigação seria aberta na Procuradoria do Trabalho em Uberlândia.
A reportagem também entrou em contato com a Cutrale e aguarda retorno.
Alojamentos
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Banheiro da residência — Foto: Polícia Militar (PM)
Em uma das casas, a PM encontrou em uma das casas 22 homens e na outra estavam 30. Em nenhum dos dois alojamentos havia fogão, geladeira, papel higiênico e condições mínimas de higiene.
Também nos dois imóveis, todos os trabalhadores tinham que dividir em dois banheiros. Além disso, dormiam em colchões no chão.
Ainda segundo a ocorrência, um funcionário da Cutrale foi o responsável por buscá-los no Mato Grosso do Sul. O responsável pela viagem também estava alojado e confirmou o fato.
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Quarto da casa — Foto: Polícia Militar/DIvulgação
Segundo os trabalhadores, a jornada de trabalho era das 7h às 15h e recebiam três refeições por dia. No café da manhã eles recebiam pão, leite e café, enquanto que almoço e a janta eram servidos em marmitas. Os indígenas não recebiam café da tarde e tinham meios para cozinhar na casa.
Os homens contaram que durante a contratação foi prometido um cartão vale-alimentação de R$ 500, mas que o benefício nunca foi entregue. Eles não souberam dizer ao certo quanto receberiam por dia, o nome da fazenda onde trabalhavam, porém, afirmaram que o valor dos equipamentos de segurança foi descontado dos vencimentos.
“A empresa paga pra gente mais ou menos R$ 1,45 por caixa de laranjas, sendo que por dia enchemos 70 caixas. Meu primeiro salário foi de R$ 300 depois de doze dias trabalhados”, disse um dos homens.