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Pernambucana é a primeira pessoa a ser reconhecida como intersexo no Brasil

Céu Ramos Albuquerque é ativista pela causa; ela lutava na Justiça há cerca de três anos para conseguir o reconhecimento

céu ramos albuquerque
Céu Ramos Albuquerque é a primeira pessoa a ser reconhecida como intersexo

A pernambucana Céu Ramos Albuquerque foi a primeira pessoa no Brasil a conseguir alterar o registro civil para o termo ‘intersexo’. Ela lutava na Justiça há cerca de três anos para conseguir o reconhecimento.

O documento novo foi expedido na última quinta-feira (7). Céu é ativista pela causa e se tornou a primeira pessoa no Brasil a ser reconhecida oficialmente como intersexo, segundo a Associação Brasileira Intersexo (Abrai).

Pessoas que se consideram intersexo são as que nascem com características sexuais, incluindo genitais, padrões cromossômicos e glândulas, como testículos e ovários, que não se encaixam nos padrões binários de corpos masculinos ou femininos.

Cerca de 1,7% da população nasce com características intersexuais, e Céu é uma delas. Ela tem hiperplasia adrenal congênita, uma condição genética que afeta a produção de cortisol e influencia o desenvolvimento sexual e formação dos órgãos genitais.

Nascida em 1991, a jornalista tinha uma genitália ambígua e foi submetida a uma cirurgia de redesignação sexual. O procedimento é considerado uma forma de mutilação para a comunidade intersexo.

Na época, Céu foi registrada com o sexo feminino, após a realização de um exame cariótipo, que avalia estrutura de cromossomos da pessoa. Ela contou que ficou seis meses sem registro esperando o resultado do teste.

‘Quando nasci, em 1991, fiquei seis meses sem registro de nascimento, esperando o exame de carótipo sair para verem qual a prevalência de gênero o meu corpo possuía. Vejo isso como a primeira violação de direitos humanos que sofri’, relatou.

Céu é ativista há cerca de dez anos pelo reconhecimento de pessoas intersexo. Segundo a Abrai, pessoas intersexo são frequentemente estigmatizadas e discriminadas. Algumas das violações são a falta de acesso a documentos e intervenções médicas desnecessárias.

*Com informações da CNN

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