Liberação de Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia deve ocorrer até junho de 2024. Cidade é uma das 6 cidades do país escolhidas pelo Ministério da Saúde para receberem a ação.
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O mosquito que transmite a dengue, Aedes aegypti. — Foto: Fotos públicas
Mosquitos transmissores da dengue e outras arboviroses infectados pela bactéria “Wolbachia” serão soltos em Uberlândia com o objetivo de impedir a transmissão das doenças. A previsão de início da soltura dos insetos infectados é junho de 2024.
A cidade está entre seis selecionadas pelo Ministério da Saúde no país para participar da ação, que também visa o controle de zika, chikungunya e febre amarela urbana. Também foram selecionadas Foz do Iguaçu (PR), Joinville (SC), Londrina (PR), Natal (RN) e Presidente Prudente (SP).
Sobre a bactéria
A Wolbachia é uma bactéria intracelular e não pode ser transmitida para humanos ou animais. Ela está presente em 60% dos insetos, mas não é encontrada no Aedes aegypti. Pelo Método Wolbachia, conduzido no Brasil pela Fiocruz, o micro-organismo é implantado nos ovos do inseto, impedindo que os vírus das doenças transmitidas pelo mosquito se desenvolvam nele.
Sendo assim, os mosquitos que carregam a bactéria têm a capacidade reduzida de transmitir os vírus para as pessoas, diminuindo o risco de surtos de dengue, zika, chikungunya e febre amarela. Nem os mosquitos, nem a Wolbachia, sofrem qualquer modificação genética.
Com o tempo, a porcentagem de mosquitos que carrega Wolbachia aumenta a partir da reprodução dos inicialmente infectados, até que permaneça estável sem a necessidade de novas liberações. Este efeito torna o método autossustentável e uma intervenção acessível a longo prazo, além de haver alteração significativa nos sistemas ecológicos. Isso porque a Wolbachia está presente naturalmente em outras espécies.
Biofábrica
Uma biofábrica será implantada em Uberlândia, no prédio onde atualmente fica a Defesa Civil, no Distrito Industrial.
O laboratório possibilitará que o método seja desenvolvido na cidade. Lá ocorrerá, por exemplo, o monitoramento de ovos dos mosquitos, para avaliar como o método está evoluindo e os locais mais críticos de transmissão de vírus.
Já receberam o método
As primeiras ações nacionais iniciaram no Rio de Janeiro (RJ) e em Niterói (RJ), em uma área que abrange 1,3 milhão de habitantes. Em Niterói, dados preliminares apontam redução de até 77% dos casos de dengue e 60% de chikungunya nas áreas que receberam os Aedes aegypti com Wolbachia, quando comparado com áreas que não receberam.
Além dessas cidades, o método vem sendo aplicado atualmente em Campo Grande (MS), Belo Horizonte (MG) e Petrolina (PE), seguindo protocolo aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).
Em Uberlândia, um cronograma de implementação será criado detalhadamente a partir de um comitê gestor para o acompanhamento permanente das atividades de implementação do método.
( Com Informações do G1)