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Escritora mineira é a primeira mulher a vencer prêmio internacional de literatura; história se passa no interior de MG

Fernanda Teixeira ganhou o 9º do Prêmio Revelação Literária, da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, na categoria “Novos Talentos: Novas Obras em Língua Portuguesa” com a obra “Cantagalo”.

Fernanda Ribeiro vence Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa — Foto: UCCLA/Divulgação

Fernanda Ribeiro vence Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa — Foto: UCCLA/Divulgação

Fernanda Teixeira Ribeiro, de 40 anos, é a primeira mulher a vencer o 9º Prêmio Revelação Literária, organizado pela União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa (CMLisboa). O romance “Cantagalo” venceu na categoria “Novos Talentos: Novas Obras em Língua Portuguesa”.

O prêmio reconhece escritores de países lusófonos que nunca tenham publicado uma obra literária e que procuram uma oportunidade de visibilidade e reconhecimento.

Nascida em Uberaba, no Triângulo Mineiro, Fernanda contou à TV Integração que a história de “Cantagalo” se passa no Alto Paranaíba, além de outros detalhes sobre a premiação e a obra.

Pioneira

Sobre ser a primeira mulher a vencer o prêmio desde 2016, data da primeira edição, Fernanda explica que a escolha do livro é cega, ou seja, o júri não tem nenhuma informação a respeito do autor da obra antes da nomeação do projeto vencedor.

“A gente vive em um país que publica 70% de homens e 30% de mulheres. De certa forma, no Cantagalo, nesse local fictício, há essa retratação dessa realidade de que as mulheres, para chegar nesses lugares, é mais complicado”, contou Fernanda.

A protagonista da trama é Dona Praxedes, viúva e única mulher a liderar uma fazenda de café no Alto Paranaíba, no século XX. Temida pelos empregados e vista como arrogante pelos parentes, ela guarda um segredo sobre a família.

Interior de Minas

Sobre a ambientação no interior de Minas Gerais, Fernanda explica que a vivência no Alto Paranaíba e Triângulo Mineiro a inspirou.

“Nasci em Uberaba, fui criada em São Gotardo até os dez anos, dos dez aos dezoito vivi em Uberaba. O linguajar, que busquei deixar presente no livro é muito característico desse microcosmo. A ambientação, os tipos de relações familiares, serviram de inspiração”.

Ainda não há previsão exata de lançamento para o livro no Brasil, mas já existem negociações de Fernanda com editoras nacionais.

“Eu estou em negociação com uma grande editora, ainda não posso dizer qual é, mas acredito que até o final do ano deve ser lançado por aqui”, explicou Fernanda.

Além de “Cantagalo”, a poesia “Chão de Saibro” de Frederico da Cruz Vieira de Sousa, de 42 anos, residente Belo Horizonte, recebeu uma menção honrosa atribuída pelo júri. Além dele, outra obra foi mencionada: o romance “A Sintaxe da Guerra” de Joaquim Njungo Jeremias, angolano, de 29 anos, natural de Luena, província de Moxico, Angola.

O prêmio

O resultado foi divulgado em março e, como prêmio, o romance será publicado em Portugal e a autora participará como convidada do Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, em Cabo Verde, além de receber 3 mil euros em dinheiro.

O júri foi formado por 11 acadêmicos, críticos de literatura e escritores do Brasil, Portugal, Cabo Verde, Angola, São Tomé e Príncipe, Moçambique, Timor-Leste, Guiné-Bissau e Macau. O prêmio recebeu 168 candidaturas nesta edição, oriundas de 15 países: Ásia (Timor-Leste), África (Países de Língua Portuguesa e Senegal), América (Brasil), Europa (Alemanha, Polónia, Holanda, Reino Unido, Suíça), e Médio Oriente (Israel). O Brasil foi o país com o maior número de candidaturas. ( Conteúdo G1)

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