Chanceler pode ter que ir à Comissão de Relações Exteriores dar explicações a senadores

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em audiência no Senado — Foto: Geraldo Magela
Senadores de oposição apresentaram pedidos para que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, vá à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) para dar explicações sobre a fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em que comparou a situação do povo palestino, em função do conflito entre Israel e o grupo Hamas, aos judeus perseguidos na Alemanha nazista por Adolf Hitler.
O líder do PL, senador Carlos Portinho (RJ), pede a convocação de Vieira, enquanto o senador Carlos Viana (Podemos-MG) protocolou um convite ao chanceler. No primeiro caso, o alvo tem a obrigação de comparecer, enquanto no segundo, tem a opção de não se apresentar.
“A declaração do presidente Lula, longe de estimular a solução do conflito e de promover o diálogo intercultural e religioso, apenas agrava as tensões entre Israel e Palestina. […] Lula não apenas distorce fatos históricos, como também promove o ódio, a revanche e a violência”, diz o requerimento de Portinho.
“Dessa forma, o Chanceler esclarecerá qual o posicionamento do governo brasileiro e as ações diplomáticas a serem tomadas em momento de fragilidade entre os países”, afirma Viana.
As declarações de Lula também geraram resposta da oposição na Câmara dos Deputados, onde será protocolado um pedido de impeachment do presidente da República. Até a noite desta segunda-feira (19), o documento contava com a assinatura de 96 parlamentares, sendo 23 de partidos que compõem a base governista.
A declaração de Lula desencadeou em uma série de críticas do governo israelense. Em um comunicado, o ministro das Relações Exteriores do país, Israel Katz, disse que o petista se tornou “persona non grata” no país e pediu uma retratação. Assessores do Palácio do Planalto avaliam que o presidente ultrapassou uma linha tênue ao fazer a comparação, inclusive dando mais munição para os oposicionistas.
Em relação ao governo de Israel, já existe o entendimento de que não será mais possível construir uma relação, uma vez que ela já estava estremecida pelas constantes críticas de Lula desde o início do conflito. Em viagem à África por cinco dias, o presidente cumpriu compromissos no Egito e na Etiópia. A situação na Faixa de Gaza, epicentro do conflito entre Israel e Hamas, foi um dos temas mais explorados por Lula em suas agendas.
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