Ação nacional cumpre mandados em cinco estados e investiga esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Justiça autorizou medidas patrimoniais de até R$ 187 milhões, incluindo o bloqueio de 11 imóveis e uma aeronave.

Uberaba está entre os municípios mineiros incluídos na Operação Bifronte, deflagrada nesta quarta-feira (14) pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Minas Gerais (FICCO/MG). A investigação apura a atuação de uma organização suspeita de envolvimento com tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.
Além de Uberaba, as diligências em Minas Gerais ocorrem em Uberlândia, Guaxupé e São João del-Rei. A Polícia Federal confirmou a presença de investigados nessas cidades, mas ainda não divulgou quantos mandados foram cumpridos em Uberaba nem o balanço geral de prisões.
Operação mobiliza equipes em cinco estados
A ofensiva reúne 46 mandados judiciais, distribuídos entre Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Goiás, Santa Catarina e São Paulo. As ordens incluem 23 mandados de prisão, 20 de busca e apreensão e três medidas de recolhimento domiciliar com monitoramento eletrônico.
A Justiça também autorizou duas difusões vermelhas por meio da Interpol e determinou a transferência de dois dos principais investigados para o sistema penitenciário federal.
A operação é conduzida pela FICCO/MG, força integrada da qual participam a Polícia Federal e as polícias Civil, Militar e Penal de Minas Gerais.
Investigação aponta rota de drogas da Bolívia e do Peru
Segundo os investigadores, a organização criminosa seria responsável por adquirir entorpecentes provenientes da Bolívia e do Peru, transportá-los e distribuí-los em território brasileiro.
As apurações também identificaram indícios de movimentação financeira e ocultação de patrimônio supostamente relacionado às atividades ilícitas.
De acordo com a investigação, o grupo teria uma estrutura dividida em diferentes núcleos, com funções relacionadas ao comando, à logística, ao transporte, à movimentação financeira e à participação de familiares.
Conforme as condutas que forem comprovadas, os investigados poderão responder por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.
Justiça determina bloqueio de patrimônio milionário
Além das medidas criminais, a Operação Bifronte tem como alvo bens que podem estar relacionados ao esquema investigado.
As decisões judiciais alcançam 69 pessoas físicas e jurídicas e autorizam o bloqueio patrimonial até o limite de R$ 187 milhões. Também foi determinado o sequestro de 11 imóveis e uma aeronave, medidas destinadas a impedir a venda ou a transferência desses bens.
Os imóveis estão localizados em Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Santa Catarina e Bahia. Embora a Bahia esteja entre os estados onde há patrimônio atingido pelas decisões, ela não aparece na relação dos cinco estados que concentram os mandados judiciais da operação.
A quantia de R$ 187 milhões corresponde ao limite autorizado pela Justiça, e não ao valor já apreendido ou efetivamente bloqueado. Até o momento, não foi divulgado o montante total de bens alcançados.
Cumprimento dos mandados em Uberaba ainda não foi detalhado
A inclusão de Uberaba na operação confirma que o município está entre os locais relacionados à investigação. No entanto, a Polícia Federal ainda não apresentou informações específicas sobre o número de alvos, prisões ou materiais apreendidos na cidade.
Novos detalhes poderão esclarecer a dimensão das diligências no Triângulo Mineiro e o papel atribuído aos investigados.
A investigação continua sob responsabilidade das autoridades competentes, que deverão aprofundar a apuração sobre a suposta rede de tráfico internacional e os mecanismos utilizados para movimentar ou ocultar recursos.